No próximo dia 23 de outubro os líderes da União Europeia e da Zona Euro reuném-se em Bruxelas para a Cimeira Europeia. Este encontro é tido como a derradeira oportunidade para a Europa encontrar soluções efetivas para fazer face à crise da divida pública na Zona Euro. Em cima da mesa estarão as propostas da Comissão Europeia, um roadmap, que o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, já afirmou ir apresentar, e ainda o plano já anunciado pela Alemanha e França. O pacote anti-crise que resultar deste Conselho Europeu será depois apresentado na Cimeira do G20, que se realiza nos dias 3 e 4 de novembro em Cannes.
Convidados: Maria João Rodrigues, Conselheira da União Europeia
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Gostei de ouvir a Dra Maria João Rodrigues, a quem reconheço inteligência e bom-senso, que há muito anda arredada dos governantes portugueses e europeus. No entanto, sou bem mais pessimista. Posso estar enganado, mas não auguro nada de positivo para a Europa. E explico porquê.
A cimeira europeia que se avizinha nada trará de novo. Os políticos são os mesmos, e são também os principais responsáveis pela actual situação que se vive na Europa. Por isso, as medidas serão, uma vez mais, para tapar mais um ou outro buraco, deixando o essencial na mesma. Infelizmente. O problema é essencialmente político, ao contrário do que aparentemente possa parecer. A Europa é hoje comandada por políticos de direita, defensores de modelos neoliberais, ao abrigo dos quais assistimos à destruição da economia mundial. As democracias são de palha. Quem manda são os grandes grupos económicos e financeiros, que se sobrepõem ao poder político. Trata-se de uma teia oligárquica que não deixa qualquer margem aos decisores políticos. Isto, como bem sabiam os gregos antigos, dá mau resultado. Os que percebem isso na Europa, ou não têm voz ou são calados. Assim, só haverá futuro se os objectivos políticos mudarem. E estes só mudarão se os políticos mudarem. Como tal não é possível no curto prazo, a não ser que houvesse algum milagre, tudo ficará na mesma. E os resultados serão mesmo catastróficos. Merkel e Sarkosy, e todos os actuais responsáveis, ficarão para sempre conotados como os coveiros da UE! O problema é o mais que provável retorno da guerra ao espaço europeu. A paz é o bem mais valioso que a União Europeia traz aos seus povos. E este não se mede em Euros.
Como se compreende que o euro tenha atingido os valores que atingiu face ao dólar? Uma cotação que desde há muito se mantém em torno de $1.4. Obviamente que os países do norte da Europa têm ganho muitos milhões à custa desta sobrevalorização do euro, esquecendo os países do sul, para o qual as respectivas economias não suportam. No entanto, em vez de assumirem esta evidência, ajudando os países do sul, a sua resposta é chamar-lhes PIIGS, um título a todos os títulos reprovável, dada semelhança da palavra com a inglesa que significa porcos (pigs). Veja-se como foi o processo de apoio financeiro a Portugal. E nem sequer de apoio se poderia falar, dadas as elevadíssimas taxas de juro a serem cobradas pela UE. Com esta solidariedade, em que os interesses individuais dos ricos, a roçar o racismo, se sobrepõem e amordaçam a voz dos pobres, esta Europa jamais dará qualquer resposta positiva aos problemas económico-financeiros em que está mergulhada. Aliás, pergunto-me, o que diria hoje Jean Monnet aos actuais políticos “europeus”?
Hoje, também em Portugal, temos um governo desta “nova” direita neoliberal que, dois meses depois de chegarem ao governo, já fizeram tábua rasa do que disseram há dois meses atrás durante a campanha eleitoral. Porquê? Anunciaram um orçamento de estado que o próprio Bispo D. Januário Torgal Ferreira chamou de terrorista (sic)! Isto quer dizer tudo. Metendo literalmente a mão dentro dos bolsos dos cidadãos, sem qualquer vergonha, principalmente dos funcionários públicos, com medidas inconstitucionais, deixam praticamente de fora os rendimentos do capital, as holding, as parcerias público privadas (PPP), com contratos absolutamente ruinosos para o Estado Português. Uma vergonha! Além disso, nem uma medida de jeito propõem para o crescimento económico. Mas mais grave é a incompetência demonstrada para prever as consequências do saque ao rendimento do trabalho das pessoas e famílias. É que, irrealisticamente, prevêem uma taxa de recessão de 2 e tal % quando esta ultrapassará largamente os 4%, como facilmente qualquer aluno do 12º ano consegue prever. Como ficará o país quando a recessão for 2%, 3%, ou mais, superior à prevista? As consequências serão apocalípticas! Dizendo que o caso grego é um caso à parte, que os portugueses são muito diferentes (não dizem que ganham menos que os gregos, claro!), acenando com papões e atirando as responsabilidades para o acordo da Troika e do anterior governo, o actual governo português prepara-se para atirar com o país para o Século XIX! Uma desgraça! Estamos a viver os dias mais negros da UE, sem dúvida.
Resolveram censurar o meu comentário. Muito bem. Infelizmente estou habituado. Por isso não estranho. Lamentável. É a palavra que me assalta. A censura é a resposta dos fracos, quando as ideias dos outros põem em causa as suas. Constato que a Companhia das Ideias tem muito poucas ideias. Está como o país dos portugueses. Confesso que nem sei bem quais são. Presumo, pela censura, que alinhem pelo neoliberalismo vigente. Infelizmente, a censura tacanha, mesquinha e encapotada, tem sido generalizada no Portugal “democrático”. Não é de hoje. Não espanta que o país tenha chegado ao estado a que chegou. E os media são, em grande medida, responsáveis por isso. Castrando as ideias que, por serem não gratas, apesar de realistas, são omitidas, escondidas e abafadas. Deste modo controlam e manipulam a opinião pública. Por isso, intoxicada, a maioria dos cidadãos, desinformada, vota na incompetência que protege os interesses instalados. Que vos controla. Infelizmente, a veracidade do meu comentário será atestada pela massiva contestação social que está em curso na UE e que agora se vai iniciar em Portugal.
João não censurámos nenhum comentário seu, simplesmente os comentários exigem aprovação do administrador e só hoje conseguimos fazê-lo. Agradecemos aos nossos telespectadores a participação no nosso blogue e somos totalmente a favor do debate de ideias e da troca de opiniões, aliás foi para isso que este espaço foi criado.
Resta-me pedir desculpa pelo meu último comentário, acusando-vos de censura. Houve um mal entendido. Não me teria precipitado no meu comentário se nunca me tivesse acontecido no passado. Infelizmente, tenho alguma experiência negativa a este respeito. Fico muito feliz por saber que estava errado e que o vosso blogue pretende contribuir para o debate, livre, de ideias e opiniões. Por isso aproveito para vos desejar os maiores êxitos para o futuro.
João Silva
Muito obrigada pelo seu anterior comentário João. Esperamos poder continuar a contar consigo e com a sua opinião no Mais €uropa!