Se até há bem pouco tempo era tabu falar do fim do Euro, hoje esse cenário é bem possível de se tornar realidade. Exigem-se decisões efetivas, daí a importância do Conselho Europeu, que terá lugar em Bruxelas nos dias 8 e 9 de Dezembro.
O eixo franco-alemão já apresentou as suas ideias, que passam por um novo Tratado Europeu, introdução de sanções automáticas para os Estados-membros que não respeitem o limite ao défice de 3% do PIB e ainda a entrada em vigor em 2012 do Mecanismo Europeu de Estabilidade.
Ainda assim o receio do fim da união monetária fez com que várias empresas, dentro e fora da Europa, dessem início aos seus planos de contingência, no sentido de minimizar o impacto deste cenário.
Irá a Zona Euro a tempo de salvar a sua moeda única? Quais os cenários possíveis se a união monetária chegar ao fim? A união política poderá ser a salvação do euro?
Convidados: José Pena do Amaral, Economista

O problema não é o fim do Euro, mas sim o fim da própria União Europeia. E as consequências do seu fim serão catastróficas a todos os níveis. Talvez o mais importante seja o fim da paz na Europa e o retorno dos nacionalismos e das guerras. Se tal acontecer, a direita europeia terá que ser responsabilizada por essa tragédia. E explico porquê.
A construção europeia foi, em grande medida, fruto do labor dos partidos sociais-democratas e socialistas europeus que estão, desde há alguns anos a esta parte, em franco declínio em toda a Europa. As razões para este facto são muito misteriosas, por que foram os valores da solidariedade e da justiça social, tão caros às suas políticas, que permitiram que os europeus alcançassem o nível de bem-estar que felizmente ainda conhecemos. Foram estes valores que deram origem à construção do chamado Estado Social por toda a Europa. Contudo, foram construções isoladas, pois, como todos sabemos, a União Europeia nunca passou de uma união económica e monetária alicerçada nos interesses dos países mais ricos do centro da Europa. Mas a tal declínio, não são alheios o nascimento do próprio Euro e da Globalização, e a consequente desregulação do Comércio mundial. Esta última conquista, tão cara ao neoliberalismo vigente, foi a principal responsável pelo declínio das economias europeias, em especial das periféricas. A economia da zona Euro sempre foi anémica. O Euro, que nasceu com paridade face ao dólar, está hoje sobrevalorizado de forma excessiva. Os interesses dos mais ricos da Europa estiveram sempre à frente de tudo e de todos. No início de forma escondida, assumem hoje contornos de autêntico escândalo, numa espécie de governo oculto que já caricaturam de “Merkozy”. Em Portugal, lamente-se, só a esquerda do PS parece continuar a defender aqueles valores. Neste contexto, Sócrates e as suas políticas hipócritas arrasaram-nos. Ao insistir na defesa do Estado Social, permitindo ao mesmo tempo o afundamento da economia portuguesa, criou no espírito dos portugueses a ideia errada que o Estado Social é, no fundo, o responsável pela actual situação. Nada de mais errado! E isto tem sido muito bem aproveitado pela actual direita neoliberal que, mascarada de social-democrata, está hoje no poder. Para essa ideia muito têm contribuído também os “fazedores de opinião” ou os “comentadores” ao serviço deste “novo sistema político”. E são claras as políticas do actual governo visando a destruição do sector público português, escudadas, igualmente, numa outra grande desculpa chamada Troika. É preciso dizê-lo, foi a corrupção generalizada, a todos os níveis, que nos trouxe até à actual situação. E isso, infelizmente, parece não ir mudar nos próximos anos. Por exemplo, o OE para 2012 é um orçamento fora-da-lei, com normas completamente inconstitucionais aos olhos de qualquer leigo e pessoa de boa-fé, construído essencialmente para atacar o sector público português e o seu POBRE Estado Social. Aonde pára o Direito? Este orçamento é a prova que os interesses económicos e financeiros estão acima das leis, dos povos e das suas Nações. Vivemos, por isso, num sistema oligárquico suicidário. E o que se passa em Portugal é somente o reflexo das políticas europeias actuais. O discurso parece ser o mesmo em todo o lado. Assim, o fim do Euro não espanta ninguém. No fundo, no fundo, podemos resumir dizendo que a União Europeia não foi feita para egoístas e oportunistas. Foi a sua ganância desmedida que nos trouxe até aqui.
A construção europeia foi sempre baseada nos valores da social-democracia e da democracia cristã que, hoje, todos combatem sem o assumirem frontalmente. Quando decretam a morte do Estado Social não é isso que estão a fazer, sem, no fundo, o assumirem? A direita, que agora assume o poder em toda a linha, sempre foi anti-europeísta, apesar de hoje ser politicamente incorrecto assumi-lo também. Lembrem-se, por exemplo, das razões que levaram à saída de pessoas como Freitas do Amaral do CDS, seu fundador. Os partidos conservadores sempre preferiram os nacionalismos bacocos, à construção de uma verdadeira união política e social. A Europa, como uma federação de Estados, com um verdadeiro Banco Central responsável pela política monetária da União, jamais será possível à luz das ideologias conservadoras de direita. E esta seria, sem dúvida, a saída para actual crise europeia. A par da regulação dos mercados, obviamente, onde os interesses económicos e financeiros fossem secundarizados face à defesa do bem comum e das pessoas, em vez da actual política, ao serviço do capitalismo selvagem e do dinheiro que hoje a move, em Portugal e na Europa. Mas, para isso, seriam necessárias políticas mais consentâneas com os valores da solidariedade e da justiça social em todo o espaço europeu, das quais os actuais políticos europeus nem sequer querem ouvir falar.
Caro João,
Muito obrigada pela sua participação no nosso blog. Esperamos que tenha a oportunidade de ver o nosso programa este sábado, dia 10 de dezembro, na RTP Informação, para acompanhar o debate que iremos proporcionar sobre este tema.
Cumprimentos
No rastro da explosão das Bolsas, virá fatalmente a quebra das empresas de toda a terra . Primeiro ruirão as empresas que tem ações nas bolsas, depois falirão as médias, depois as pequenas, porque ninguém mais poderá comprar de ninguém, nem vender nada. Aos poucos faltará de tudo para todos, pois mesmo que se tenha dinheiro, logo não haverá o que comprar em muitos lugares Com a falência das empresas e o desemprego em massa, o próximo alvo será os bancos Com milhares de pessoas indo aos bancos em busca de seus depósitos, e não havendo dinheiro para pagar a todos – pois mais de 90% do dinheiro que circula é falso, é apenas papel sem valor – haverá um completo caos social. Em poucos dias toda a terra estará transformada numa Argentina, e caminhará sempre mais para a explosão final. Logo não haverá mais aposentadorias nem salários.
Muito obrigada pela sua comentário e participação no Mais Europa!